Internet e negócios

Começando a valer no dia 14 de maio, as novas regras de atendimento a clientes e entrega de produtos por lojas virtuais vêm para trazer mais segurança aos consumidores, mas acabam por tirar o sono de pequenos empresários do setor, que falam até em fechamento de negócios.

A razão desse temor é o aumento nos gastos para adequação às exigências, previstas no decreto nº 7.962 sancionado pela presidenta Dilma Rousseff no fim de março.

O maior problema, no entanto, fica na relação com o cliente que deve gerar muitos custos e carece de regras específicas, deixando muitos pontos abertos que devem ser esclarecidos por órgãos de defesa do consumidor. O Sindec (Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor) deve divulgar nota técnica de esclarecimento e fazer uma rodada de diálogos com o mercado para ouvir sugestões e críticas.

O objetivo da legislação é aumentar a confiança no mercado de e-commerces e estimular os negócios, valendo para lojas de todos os portes.

A questão é que em lojas de pequeno porte, o atendimento ao consumidor é feito muitas vezes apenas por e-mail, pelos próprios sócios ou por um funcionário indicado. A implementação de um sistema completo, com profissional treinado, computador com software para esse fim e um telefone PABX, pode custar entre R$ 5.000 e R$ 7.000 mensais para cada Posição de Atendimento (PA).

Os pequenos varejistas já são desfavorecidos para negociar contratos e atrair clientes. O decreto causou preocupação em muitos empresários novos ou que desejam abrir um comércio. O temor é que companhias fechem por não conseguirem cumprir a norma.

A esperança ante isso é que os órgãos de defesa do consumidor também aceitem estruturas alternativas para esse relacionamento com o cliente como o Facebook e Twitter. O presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico diz que está de olho nessa intervenção do Estado e que está preparado para intervir judicialmente se isso criar uma situação negativa para o setor.

Fora a questão do relacionamento com o cliente, uma lista com 30 produtos considerados essenciais também tem gerado polêmica. Esses produtos, caso apresentem defeito, poderão ser devolvidos imediatamente pelo consumidor de acordo com a nova norma, o que implica numa estrutura preparada para realizar essa coleta.

Ainda não se sabe o conteúdo exato da lista, mas o setor de telefonia celular deve estar na relação. Além disso, informações como endereço físico, eletrônico e CNPJ do comércio, devem vir em local de destaque e de fácil visualização conforme as novas regras.

O aumento dos custos, no entanto, traz oportunidades para empresas de terceirização de PAs, logística reversa e entregas rápidas. Negócios que oferecem serviços ao comércio eletrônico por valores mais baixos esperam conseguir mais mercado a partir de maio.

Veja abaixo um resumo sobre as novas regras:

Carolina Daffara/Editoria de Arte/Folhapress

 

25 de abril de 2013

Novas regras podem fazer pequenas lojas virtuais fecharem

Começando a valer no dia 14 de maio, as novas regras de atendimento a clientes e entrega de produtos por lojas virtuais vêm para trazer mais […]